21/02/2025
Revisado em: 20/03/2025
O diagnóstico preciso do problema passa por uma boa escuta por parte do alergista
O termo “alergia emocional” tem sido amplamente utilizado para descrever reações cutâneas, respiratórias ou digestivas que podem surgir em momentos de estresse ou tensão emocional.
No entanto, é importante esclarecer que, na medicina, não existe uma condição reconhecida como alergia emocional. As alergias são respostas exageradas do sistema imunológico a certas substâncias. Porém, os fatores emocionais podem influenciar o curso de alergias já existentes, agravando sintomas e tornando crises mais frequentes ou intensas.
Leia nosso artigo até o fim e saiba mais sobre como o nosso psicológico pode afetar os sintomas de alergia e como isso ocorre em nosso organismo.
O termo \"alergia emocional\" provavelmente surgiu da observação de que emoções intensas, como estresse e ansiedade, podem piorar os sintomas de alergias já existentes.
Embora não tenha uma origem médica precisa, a expressão se popularizou ao longo do tempo, sendo usada de forma leiga para descrever reações alérgicas que parecem ser desencadeadas por fatores emocionais.
Essa ideia pode ter sido reforçada por estudos que mostram a influência do sistema nervoso no sistema imunológico.
Pesquisas em psiconeuroimunologia indicam que o estresse pode aumentar a liberação de substâncias inflamatórias, como histamina e cortisol, agravando doenças alérgicas como asma, rinite e dermatite atópica.
No entanto, apesar dessa relação, a medicina não reconhece uma alergia causada exclusivamente por emoções, pois alergias são reações do sistema imunológico a alérgenos específicos.
Como vimos antes, a ideia de que alguém pode ser alérgico a emoções ou sentimentos é um conceito equivocado. Alergias são respostas exageradas do sistema imunológico a substâncias específicas, conhecidas como alérgenos. Podemos citar como exemplo o pólen, os ácaros, alimentos ou medicamentos.
Essas reações são desencadeadas por mecanismos imunológicos específicos e não por estados emocionais. Embora as emoções possam agravar os sintomas de alergias preexistentes, elas não são capazes de causar uma reação alérgica de forma independente.
Sim, questões emocionais podem agravar reações alérgicas. O estresse, por exemplo, é conhecido por afetar negativamente o sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível à exacerbação de condições alérgicas como asma, rinite e urticária.
Quando uma pessoa está estressada, o corpo libera uma série de hormônios e substâncias químicas, como o cortisol, que podem provocar uma resposta inflamatória exacerbada. Isso pode aumentar a intensidade dos sintomas alérgicos, como coceira, erupções cutâneas e dificuldade respiratória.
A lista de alergias que podem ter seus sintomas exacerbados por fatores emocionais é extensa e inclui:
Asma: uma das doenças alérgicas mais comuns e frequentemente associada ao estresse. Crises asmáticas podem ser desencadeadas ou agravadas por situações de tensão emocional.
Rinite alérgica: caracterizada por nariz entupido, espirros e coceira nos olhos, também pode ter seus sintomas intensificados por fatores psicológicos.
Dermatite atópica (eczema): inflamação crônica da pele é frequentemente associada a alergias e pode ter seus surtos agravados pelo estresse.
Urticária: caracterizada pelo aparecimento de manchas vermelhas e que coçam na pele, também pode ser desencadeada ou piorada por fatores emocionais.
Embora menos estudada, a relação entre alergias alimentares e emoções também existe. O estresse pode influenciar a percepção dos sintomas e a gravidade das reações alérgicas a alimentos.
Reações alérgicas a medicamentos podem ser mais intensas e frequentes em pessoas com alta carga de estresse.
A relação entre emoções e alergias é complexa e envolve diversos mecanismos, como os destacados a seguir.
Sistema imunológico: o estresse desencadeia a liberação de hormônios como o cortisol, que podem afetar o funcionamento do sistema imunológico, aumentando a inflamação e a sensibilidade a alérgenos.
Vasos sanguíneos: as emoções podem alterar o fluxo sanguíneo e a permeabilidade dos vasos sanguíneos, facilitando a liberação de histamina e outras substâncias inflamatórias envolvidas nas reações alérgicas.
Ciclo sono-vigília: o estresse e a ansiedade podem interferir no sono, o que, por sua vez, pode afetar o sistema imunológico e aumentar a suscetibilidade a alergias.
As doenças alérgicas, especialmente aquelas crônicas, podem sim levar a alterações psíquicas. Conviver com sintomas persistentes, como coceira, dificuldades respiratórias ou desconforto abdominal, pode ser desgastante e afetar a qualidade de vida.
Isso pode levar a estados de ansiedade, depressão e irritabilidade. A sensação de incapacidade de controlar os sintomas também pode gerar frustração e afetar o bem-estar emocional.
O diagnóstico de alergias é feito através de uma combinação de história clínica detalhada, exames físicos e testes específicos, como testes cutâneos e exames de sangue para detectar anticorpos IgE específicos.
Embora o estado emocional do paciente não interfira diretamente nos resultados dos testes alérgicos, ele pode influenciar a percepção e a intensidade dos sintomas. Por exemplo, uma pessoa ansiosa pode relatar sintomas mais intensos ou estar mais atenta a sensações físicas desconfortáveis.
Para evitar que questões emocionais atuem como gatilhos para exacerbação de alergias, é importante adotar estratégias de manejo do estresse.
Veja exemplos de técnicas que podem ajudar a manter o estresse sob controle:
Além disso, o apoio psicológico (terapia) pode ser benéfico para lidar com ansiedade e outras questões emocionais que possam estar contribuindo para o agravamento dos sintomas.
Em casos de alergia, é recomendável procurar um especialista em Alergologia e Imunologia. Esses médicos se dedicam ao estudo, diagnóstico e tratamento de doenças que afetam o sistema imunológico.
No entanto, se houver suspeita de que questões emocionais estejam contribuindo para a gravidade dos sintomas, pode ser útil consultar um psicólogo ou psiquiatra para suporte emocional e manejo do estresse.
A alergia emocional não existe no sentido médico, mas o estresse e as emoções intensas podem, sim, agravar sintomas alérgicos. Compreender essa relação e buscar estratégias de controle do estresse pode ajudar a reduzir a frequência e intensidade das crises.
Se você sofre com alergias recorrentes, um especialista pode orientar sobre o melhor caminho para cuidar da saúde física e mental!
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