O tratamento elimina o parasita e reduz o risco de recaídas; higiene e água tratada ajudam a prevenir a infecção
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A ciclosporíase é causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. A doença é transmitida comumente pelo consumo de água e alimentos contaminados e pode provocar um quadro prolongado, com episódios de melhora seguidos por novas crises, sobretudo quando não é tratada corretamente.
O seu curso clínico pode fazer a condição ser confundida com intoxicação alimentar ou gastroenterite. Apesar de muitas pessoas saudáveis conseguirem se recuperar espontaneamente, a infecção pode ser mais grave em crianças, idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
Ela pode aumentar o risco de desidratação, perda de peso e desnutrição. Não ignore sintomas gastrointestinais prolongados. Agende uma avaliação médica na Rede Américas e receba um diagnóstico preciso.
A ciclosporíase é uma doença diarreica causada por um parasita chamado Cyclospora cayetanensis. A transmissão acontece principalmente através da via fecal-oral, pela ingestão do microorganismo em água ou alimentos contaminados.
A contaminação de pessoa para pessoa não acontece, pois os "ovos" do parasita (oocistos) precisam passar de 7 a 14 dias no ambiente para amadurecerem (esporular) e se tornarem contagiosos.
De maneira geral, os sintomas mais comuns incluem diarreia aquosa e explosiva (com seis ou mais evacuações por dia), náuseas, perda de peso, dor abdominal e dores musculares. Em indivíduos com o sistema imunológico saudável é possível haver recuperação sem que haja tratamento.
Mas com as defesas comprometidas, a doença pode durar de alguns dias a um ou mais meses. Caso não haja tratamento adequado, podem ocorrer recaídas.
Os sintomas da ciclosporíase podem variar de leves a graves. Normalmente eles se manifestam cerca de uma semana após a ingestão do parasita. A manifestação clínica mais característica é a diarreia aquosa, que pode ser intensa e explosiva .
O paciente também pode apresentar outros sintomas gastrointestinais como a perda de apetite, fadiga extrema, dores musculares e inchaço abdominal, como arrotos e flatulência. Náuseas, vômitos e cólicas abdominais podem estar presentes, assim como a febre baixa, que é menos comum.
Em alguns casos, a infecção pode ser assintomática, mas o indivíduo ainda pode ser portador do parasita. Os sintomas podem desaparecer e retornar uma ou mais vezes, caracterizando as recaídas,principalmente se a infecção não for tratada.
A terapia medicamentosa é o pilar do tratamento da ciclosporíase. Ela foca na eliminação do parasita e no alívio dos sintomas. A escolha é fundamental para uma recuperação rápida e para evitar complicações.
A combinação de sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), comercializada como Bactrim, Septra ou Cotrim, é o tratamento de primeira linha. De acordo com o CDC, considerada a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dos Estados Unidos, o comprimido deve ser administrado em adultos duas vezes ao dia, de 7 a 10 dias.
Em crianças, a dosagem diária é menor. Indivíduos com sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV, podem ter um tratamento mais prolongado.
O SMX-TMP é classificado como categoria C na gravidez, devendo ser utilizado apenas se o benefício potencial justificar o risco para o feto, segundo o CDC. Deve ser evitado próximo ao nascimento devido ao risco de hiperbilirrubinemia no recém-nascido.
É sabido que a medicação é capaz de ser excretada pelo leite materno, mas o órgão afirma que as mães de bebês saudáveis podem amamentar. Já quando os bebês nascerem prematuros, ictéricos ou doentes a indicação é de que o fármaco seja evitado.
Para pacientes que apresentam alergia ou intolerância ao SMX-TMP, as opções de tratamento são mais limitadas e menos eficazes. Elas devem ficar em observação e realizar o tratamento dos sintomas.
Nesses casos, uma outra alternativa é fazer a dessenbilização ao medicamento. Isso significa dizer que é possível iniciar um processo para deixar de ser alérgico a ele. Ela só deve ser utilizada em pessoas que já passaram pela avaliação médica e não possuem uma alergia potencialmente fatal.
Substâncias como albendazol, azitromicina, doxiciclina, metronidazol, tetraciclina e tinidazol não são eficazes contra a ciclosporíase.
Além da medicação, medidas de suporte ajudam na recuperação. Uma delas é a hidratação. A diarreia intensa pode levar à desidratação e desequilíbrio eletrolítico. A ingestão abundante de líquidos, como água, soros de reidratação oral e bebidas esportivas, é fundamental.
Quando o caso for grave, fluidos intravenosos podem ser necessários. Uma outra medida é o repouso, que contribui para a recuperação geral do organismo. Manter a alimentação leve e nutritiva, mesmo em pequenas porções, ajuda a repor os nutrientes perdidos.
Informações do cleveland clinic mostram que depois de iniciar a abordagem terapêutica, boa parte das pessoas começam apresentar melhora em uma ou duas semanas. Isso porque o tempo de tratamento recomendado é de 7 a 10 dias.
É possível que ocorram diarreias esporádicas por até um mês. A terapia deve ser completada mesmo que os sintomas melhorem antes do término do medicamento.
Se a ciclosporíase não for tratada, as suas manifestações podem persistir por um longo período, se estendendo por mais de um mês. O que pode levar a complicações significativas, como a diarreia severa.
A diarreia aquosa e prolongada pode levar à perda excessiva de líquidos e eletrólitos, o que pode ser perigoso, sobretudo para crianças e idosos. O desequilíbrio eletrolítico pode afetar funções do organismo, levando a um choque hipovolêmico.
Esse tipo de choque é considerado uma crise grave causada pela perda rápida e excessiva de sangue ou líquidos, o que impede o coração de bombear sangue suficiente para o corpo. Quando não tratada, a doença pode levar à perda de peso e desnutrição, por causa da perda de apetite e má absorção de nutrientes.
A prevenção da ciclosporíase gira em torno da higiene e da segurança alimentar e da água, já que a transmissão ocorre pela via fecal-oral. Então é importante lavar as mãos com água e sabão após usar o banheiro e, antes, durante e após o preparo de alimentos.
Evitar a ingestão e usar água não tratada para cozinhar. A Cyclospora é resistente ao cloro, por isso a água precisa ser adequadamente filtrada e tratada. A fervura do líquido é considerada uma medida eficaz.
No preparo de alimentos, a prevenção deve ser feita cozinhando os vegetais. Assim como lavando eles e as frutas antes de consumí-los.
O diagnóstico e tratamento da ciclosporíase são geralmente realizados por um clínico geral ou gastroenterologista. Em casos de infecção grave, persistente ou em pacientes imunocomprometidos, um infectologista pode ser consultado.
É fundamental procurar um profissional de saúde ao apresentar sintomas de diarreia persistente, principalmente após viagens ou consumo de alimentos/água suspeitos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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