Revisado em: 05/03/2026
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O tratamento da doença de Chagas reduz complicações cardíacas e digestivas; o diagnóstico precoce é fundamental para o seu sucesso

A doença de Chagas (DC), também conhecida como tripanossomíase americana, é uma infecção parasitária grave causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Transmitida pelo inseto vetor conhecido como "barbeiro”.
Embora a infecção possa permanecer assintomática por muitos anos, ela pode evoluir para formas crônicas que afetam o coração e o sistema digestório. O que resulta em morbidade e mortalidade consideráveis.
Se você tem risco ou histórico de exposição, agende um atendimento e investigue com segurança em um hospital da Rede Américas.
A doença de Chagas é uma zoonose parasitária causada pelo Trypanosoma cruzi. A transmissão ocorre principalmente por meio das fezes de insetos triatomíneos infectados. Elas são depositadas na pele da pessoa quando o barbeiro suga o sangue (repasto sanguíneo) e penetram no organismo através de feridas ou mucosas.
Outras formas de transmissão incluem a via oral, com a ingestão de alimentos contaminados. Além da transfusão sanguínea, transplante de órgãos e transmissão vertical, que ocorre da mãe para o filho durante a gravidez ou parto.
A doença apresenta duas fases distintas: a fase aguda e a fase crônica. A fase aguda ocorre logo após a infecção e pode ser assintomática. Quando os sintomas aparecem, eles costumam ser leves e inespecíficos, como febre, mal-estar e inchaço no local da picada (chagoma de inoculação ou sinal de Romaña).
A decisão de iniciar o tratamento para a doença de Chagas depende de diversos fatores. Dentre eles estão: a fase da doença, a idade do paciente e a presença de comorbidade. O tratamento antiparasitário é mais eficaz quando iniciado de maneira precoce, principalmente na fase aguda.
De acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tratamento precisa ser realizado em todos os casos da fase aguda. Ele deve ser iniciado o mais rápido possível após a confirmação diagnóstica, independentemente da via de transmissão.
Na fase crônica recente, o recomendado é que crianças com idade igual ou inferior a 12 anos com sorologia positiva sejam tratadas imediatamente. Para adultos nesta fase (geralmente entre 5 e 12 anos após a infecção inicial), a terapêutica também deve ser iniciada.
É preciso tratar também pacientes imunocomprometidos que apresentem reativação da doença. Além de meninas e mulheres em idade fértil que tenham sido infectadas, para prevenir a transmissão congênita. E recém-nascidos com doenças de Chagas congênita.
A forma indeterminada em crianças e adolescentes também deve ser tratada, para evitar a progressão da disfunção. Assim como adultos com essa forma e cardíacos assintomáticos. Nesses casos é preciso avaliar a duração da abordagem terapêutica e os possíveis efeitos adversos.
Tratar a doença de Chagas em mulheres grávidas não é recomendado, por causa da toxicidade e do risco dos medicamentos causarem alguma malformação estrutural ou funcional ao feto (teratogenicidade).
A eliminação do parasita é um dos principais objetivos do tratamento da doença de Chagas. Este é o objetivo primário, principalmente na fase aguda e em crianças, que possuem as taxas de cura parasitológica em um nível mais elevado.
A eliminação do Trypanosoma cruzi visa interromper o alastramento da infecção e prevenir o desenvolvimento de lesões. Além de contribuir para prevenir e retardar o desenvolvimento de complicações cardíacas e digestivas. Sendo essas as principais causas de morbidade e mortalidade associadas ao problema.
A redução da carga de parasitas também é um dos propósitos. Mesmo que a cura não seja alcançada completamente na fase crônica, a diminuição da quantidade de parasitas no organismo pode diminuir o risco de danos aos órgãos. Além de contribuir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Os dois medicamentos que possuem eficácia comprovada contra o parasita são o benznidazol e o nifurtimox. O benznidazol atinge o parasita a partir da formação de radicais livres de hidrogênio. Ele promove alterações letais nas células do T. cruzi. sendo eficaz contra as formas tripomastigotas e amastigotas.
Na fase aguda, o tratamento com benznidazol é mantido de 30 a 60 dias consecutivos. O nifurtimox pode ser utilizado como alternativa em casos de intolerância ao benznidazol ou em caso de falha terapêutica.
A medicação funciona de forma parecida com o remédio de primeira linha, através da geração de radicais nitros aniônicos. Sendo administrada de 60 a 120 dias, diariamente. As chances de cura são maiores na fase aguda, e caem drasticamente na fase crônica.
Ambos os medicamentos podem causar uma série de efeitos colaterais, o que pode levar à redução da adesão e ao abandono do tratamento. Eles são mais frequentes e potencialmente mais graves em adultos do que em crianças.
O benznidazol pode gerar reações cutâneas como prurido e descamação da pele. A dermatite alérgica generalizada pode ocorrer e levar à interrupção da abordagem terapêutica adotada.
Náuseas e vômitos também podem ser observados. Assim como tonturas, dor muscular, parestesia (formigamento ou dormência, por exemplo). Além da sensação de esgotamento físico e mental e estados subfebris.
Reações adversas como náuseas e vômitos também podem estar presentes com a administração do nifurtimox. Algumas outras podem ser: insônia, distúrbios psíquicos e irritabilidade. Bem como perda de peso e anorexia.
Para evitar que aconteçam, é preciso ter um acompanhamento médico rigoroso durante todo o período de tratamento. Em alguns casos, pode ser necessária a redução da dose ou a suspensão temporária da medicação para cuidar das manifestações.
Os dois remédios são contraindicados para mulheres grávidas e pessoas com insuficiência renal ou hepática. O nifurtimox também é contraindicado para indivíduos com histórico de distúrbios neurológicos ou psiquiátricos.
O diagnóstico precoce é um fator determinante para o sucesso do manejo da infecção, principalmente na fase aguda. Neste período as taxas de cura são expressivamente mais altas. A identificação e o tratamento rápido de casos agudos podem prevenir a progressão da doença para a fase crônica e suas complicações graves.
Na fase crônica, mesmo que a cura parasitológica seja mais difícil, o diagnóstico precoce ainda permite a intervenção terapêutica. Ele pode prevenir ou retardar o desenvolvimento de lesões cardíacas e digestivas.
Pessoas que moraram ou moram em áreas com presença de barbeiro e viveram em casa que facilitam a presença do inseto devem realizar exames diagnósticos. Assim como aquelas que vieram de áreas com histórico da doença ou com familiares com diagnóstico da doenças de Chagas. As gestantes com risco devem realizar o exame durante o pré-natal.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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