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A dor generalizada e a fadiga constante levam muitos a questionar se o próprio corpo seria a causa. Esclarecemos a resposta aqui.

Acordar sentindo dores por todo o corpo, mesmo sem ter feito um esforço físico intenso. Sentir um cansaço que não passa, não importa quantas horas de sono você tenha. Essa realidade, familiar para milhões de pessoas, frequentemente leva a uma pergunta angustiante: "meu próprio corpo está me atacando?". A dúvida se a fibromialgia é autoimune é legítima e muito comum.
Apesar da sobreposição de alguns sintomas, a resposta direta é não. A fibromialgia pertence a uma categoria diferente de distúrbios, com uma causa e um mecanismo distintos. Compreender essa diferença é fundamental para buscar o diagnóstico correto e o tratamento mais eficaz.
Reumatologistas são os médicos indicados para esse tipo de acompanhamento. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
Para entender por que a fibromialgia não se encaixa nessa categoria, primeiro é preciso saber o que é uma doença autoimune. Nela, o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo contra invasores como vírus e bactérias, comete um erro.
Ele passa a produzir anticorpos (chamados de autoanticorpos) que atacam as próprias células e tecidos saudáveis do corpo.
Esse ataque gera uma resposta inflamatória crônica que danifica órgãos e articulações. Exemplos conhecidos de doenças autoimunes incluem:
O diagnóstico dessas condições geralmente envolve exames de sangue que detectam a presença de autoanticorpos específicos e marcadores de inflamação.
Leia também: Veja qual exame fazer para detectar a fibromialgia
A fibromialgia se diferencia das doenças autoimunes em pontos cruciais. A principal razão é a ausência de um ataque do sistema imunológico contra os tecidos do corpo. Em pacientes com fibromialgia, não são encontrados os autoanticorpos característicos que causam a destruição tecidual vista em condições autoimunes.
Essa condição é, na verdade, classificada como uma síndrome de dor crônica primária, ligada a uma disfunção no Sistema Nervoso Central (SNC), e não como uma doença autoimune ou resultado de lesões nos tecidos.
Além disso, embora alguns pacientes possam ter leves marcadores inflamatórios, a fibromialgia não é primariamente uma doença inflamatória. A dor generalizada não resulta de articulações ou músculos inflamados pelo sistema imune, mas sim de um problema no processamento central da dor. Essa disfunção leva à hipersensibilidade do sistema nervoso somatossensorial, fazendo com que a fibromialgia seja descrita como uma "doença de dor refratária".
Leia também: Qual é o médico que acompanha os quadros de fibromialgia?
A fibromialgia é classificada como uma síndrome de dor crônica, mais especificamente uma condição de sensibilização do sistema nervoso central (SNC). Isso significa que o cérebro e a medula espinhal de pessoas com a síndrome interpretam os sinais de dor de forma amplificada.
Nela, ocorre uma hiperexcitabilidade dos neurônios do sistema nervoso central, o que amplifica a percepção da dor. Essa condição não é causada por lesão de tecido, mas sim por essa alteração na forma como o sistema nervoso processa os estímulos.
Imagine que o "controle de volume" da dor no seu cérebro está permanentemente alto. Estímulos que para a maioria das pessoas não seriam dolorosos, como um toque leve ou a pressão de um abraço, podem ser percebidos como extremamente dolorosos por quem tem fibromialgia.
O cérebro se torna hipersensível à dor, um fenômeno onde o sistema nervoso está constantemente em estado de alerta. Pacientes com fibromialgia apresentam limiares de dor por pressão significativamente mais baixos quando comparados a pessoas saudáveis, ou seja, sentem dor com menos estímulo.
Condições que causam dor crônica, fadiga e insônia, como a fibromialgia, são frequentemente classificadas como Síndromes de Sensibilização Central (SSC). Isso sugere que a origem comum dessas condições está na hipersensibilidade do sistema nervoso.
A sobreposição de sintomas é o principal motivo da dúvida. A fibromialgia pode causar dor crônica e fadiga debilitante. Contudo, a natureza desses sintomas e os achados clínicos são diferentes.
Como não há um exame de laboratório ou de imagem que confirme a fibromialgia, o diagnóstico é clínico. Um médico, geralmente um reumatologista, avalia o histórico do paciente e realiza um exame físico.
Os critérios diagnósticos atuais, estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia, focam em dois aspectos principais:
É fundamental que o médico também descarte outras condições que possam causar sintomas semelhantes, incluindo doenças autoimunes, hipotireoidismo e deficiências vitamínicas. Por isso, exames de sangue podem ser solicitados, mas com o objetivo de excluir outras patologias.
O tratamento da fibromialgia é focado no controle dos sintomas, na melhora da capacidade funcional e na qualidade de vida. A abordagem é quase sempre multidisciplinar, combinando diferentes estratégias.
Viver com dor crônica é um desafio, mas entender a natureza da sua condição é o primeiro passo para um manejo eficaz. A fibromialgia não é uma doença autoimune, mas uma condição real e complexa que exige um diagnóstico cuidadoso e um plano de tratamento personalizado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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