Sífilis na gravidez pode passar para o bebê? Saiba o risco e como evitar
A sífilis pode passar da gestante para o bebê pela placenta durante a gravidez; quando não é tratada, a infecção pode causar problemas como nascimento prematuro e morte do feto
Resumo
- A bactéria pode atingir o bebê pela placenta em qualquer fase da gestação
- Sem tratamento, o risco de o feto ser infectado chega a 80% dos casos
- O uso de penicilina benzatina é altamente eficaz para evitar a transmissão
- Exames de rotina no pré-natal são fundamentais para a descoberta precoce
- O tratamento adequado da gestante protege o recém-nascido de complicações graves
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A sífilis pode passar da gestante para o bebê pela placenta e causar sífilis congênita, uma infecção que a criança adquire durante a gravidez e que pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, problemas no desenvolvimento e morte do feto antes do nascimento.
O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue durante o pré-natal. A gestante deve realizar o teste no início da gravidez, no terceiro trimestre e no momento do parto. Quando o exame identifica a infecção, o tratamento com penicilina deve começar o quanto antes.
A mulher pode ter sífilis sem apresentar sintomas e transmitir a infecção ao bebê. Por isso, o pré-natal permite identificar a doença mesmo quando não há sinais. O tratamento das parcerias sexuais também é importante para evitar uma nova infecção durante a gravidez.
Infectologistas são os médicos que podem diagnosticar, acompanhar e tratar gestantes com sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A Rede Américas conta com profissionais renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
O que é sífilis e quais são os sintomas na gravidez?
A sífilis é uma IST causada pela bactéria Treponema pallidum, cuja transmissão acontece sobretudo em relações sexuais sem preservativo, pelo contato com feridas causadas pela doença. Na gravidez, a bactéria também pode passar para o bebê pela placenta.
Os sintomas variam conforme a fase da infecção. A gestante pode ter feridas ou manchas na pele, mas também pode não sentir nada. Mesmo quando as feridas somem, a bactéria continua no organismo. Por isso, os exames do pré-natal ajudam a identificar a doença.
Em geral, é importante que a mulher procure atendimento médico quando percebe:
- Febre;
- Dor de cabeça;
- Sensação de mal-estar;
- Queda de cabelo em algumas áreas;
- Caroços na virilha, conhecidos como ínguas.
Nos casos avançados, quando a sífilis não é tratada, a infecção pode afetar outras partes do corpo. A bactéria pode atingir o cérebro, os nervos, os olhos, os ouvidos e o coração, causando problemas como alterações na visão, na audição e no funcionamento dos órgãos.
Como a sífilis passa da gestante para o bebê?
A bactéria da sífilis pode passar do sangue da mãe para o bebê pela placenta, que fornece oxigênio e nutrientes necessários ao desenvolvimento na gravidez. Essa transmissão pode ocorrer em qualquer fase da gestação, mesmo quando a mulher não apresenta sintomas.
Segundo o Ministério da Saúde, até 50% das gestações em pessoas com sífilis não tratada podem resultar em complicações graves, incluindo a morte do feto dentro do útero, o parto prematuro, o baixo peso ao nascer ou a morte do recém-nascido.
O risco para o bebê depende da fase da sífilis na mãe e de quanto tempo a infecção não é tratada. Quanto mais cedo a doença for identificada, menor é o risco de transmissão para a criança. Por isso, a indicação é começar o tratamento o mais rápido possível.
Quando a transmissão pode acontecer na gravidez?
O risco de transmitir sífilis para o bebê é maior nas fases iniciais da infecção, chamadas primária e secundária. Nesses períodos, a quantidade de bactérias no organismo costuma ser maior, o que aumenta a chance de a bactéria chegar ao feto durante a gestação.
A transmissão também pode acontecer no parto vaginal, caso a mãe tenha feridas deixadas pela sífilis na região genital. O contato do bebê com essas lesões pode levar à infecção e, nesses casos, o médico precisa conhecer o histórico da mãe para orientar os cuidados.
Quem já teve sífilis pode contrair a infecção novamente, pois a doença não gera proteção contra novas infecções. Isso significa que uma gestante que recebeu tratamento antes ou durante a gravidez ainda pode ser infectada outra vez ao entrar em contato com a bactéria.
O que aumenta a chance de a sífilis chegar ao feto?
A prevenção da sífilis congênita depende do acesso ao pré-natal e ao tratamento durante a gravidez. Quando a gestante tem dificuldades para conseguir atendimento ou os remédios necessários, a infecção pode ficar sem controle e colocar a saúde do bebê em risco.
Sendo assim, a chance de a sífilis chegar ao feto é maior quando a mãe:
- Não faz o tratamento da sífilis durante a gravidez;
- Recebe um tratamento que não é adequado à fase da infecção;
- Interrompe o tratamento ou não segue os intervalos indicados entre as doses;
- Mantém relações sexuais com uma parceria infectada que não recebeu tratamento;
- Contrai sífilis novamente durante a gravidez, mesmo que já tenha tratado a infecção antes.
O tratamento da parceria sexual é importante para evitar que a gestante contraia sífilis de novo. Em situações como essa, o preservativo ajuda a reduzir o risco, mas não dá proteção total, pois as feridas podem aparecer em áreas do corpo que ele não cobre.
O tratamento da sífilis na gestação protege o bebê?
O tratamento da sífilis na gravidez reduz o risco de a bactéria passar para o bebê e ajuda a evitar problemas graves. A penicilina benzatina, aplicada por injeção, é o remédio indicado para tratar a infecção em gestantes.
O tratamento deve começar assim que a infecção for diagnosticada. A quantidade de doses e o intervalo entre as aplicações dependem da fase da sífilis. Por isso, é importante seguir a prescrição médica e comparecer às aplicações nas datas indicadas.
Quando o tratamento começa tarde ou não é feito certo, ainda existe o risco de transmissão para o bebê. Depois do nascimento, o médico pode pedir exames e indicar tratamento para a criança, mesmo que ela não tenha sintomas, conforme os resultados e o histórico da mãe.
Quais exames detectam sífilis no recém-nascido?
Quando a gestante tem sífilis durante a gravidez, a equipe médica avalia o recém-nascido para saber se a infecção foi transmitida. Para isso, considera o tratamento da mãe durante a gestação e verifica as condições de saúde do bebê, por meio de exames como:
Se os exames indicarem qualquer alteração, o bebê recebe o tratamento necessário no hospital. Esse cuidado inicial evita que a doença cause problemas de visão, audição ou desenvolvimento no futuro. O monitoramento por pediatras continua nos primeiros meses de vida para garantir a saúde total da criança.
Uma mãe com sífilis pode amamentar o bebê?
A amamentação é fundamental para a saúde do bebê e não precisa ser interrompida apenas pelo diagnóstico de sífilis. A bactéria não é transmitida pelo leite materno. A mãe pode amamentar normalmente, desde que não existam feridas abertas causadas pela doença nos seios.
Caso surjam lesões nos mamilos, a recomendação médica é suspender o aleitamento naquela mama temporariamente. O contato da boca do bebê com a ferida ativa poderia transmitir a bactéria. Assim que as lesões cicatrizarem com o tratamento, a amamentação pode ser retomada com total segurança.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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