Entenda a relação entre a dieta materna e o choro do recém-nascido para garantir o bem-estar e a nutrição de ambos.
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Toda mãe conhece a cena. O relógio marca altas horas da madrugada e o recém-nascido chora de forma inconsolável, encolhendo as perninhas contra o abdômen. A angústia toma conta do ambiente. Imediatamente, a primeira suspeita costuma recair sobre a própria dieta: será que foi o café da tarde ou o feijão do almoço?
A privação de sono e a vontade de aliviar a dor do bebê levam muitas mulheres a cortar dezenas de alimentos do prato. Restringir grupos alimentares inteiros sem orientação, no entanto, gera fadiga e deficiências nutricionais na lactante. Compreender como a digestão materna afeta o leite é o primeiro passo para uma amamentação mais tranquila.
A ciência demonstra que não existe uma lista universal de alimentos proibidos durante o aleitamento. Estudos indicam que o aleitamento materno ajuda a proteger o bebê contra o desconforto, sem haver indícios de que a comida consumida pela mulher cause diretamente esse sintoma.
As cólicas ocorrem com a mesma frequência em bebês que recebem leite materno exclusivo e naqueles que não o recebem, mostrando que a amamentação não é a culpada pelas dores.
Esse desconforto está ligado à imaturidade natural do organismo infantil. Pesquisas apontam que o problema relaciona-se a um desequilíbrio na flora intestinal própria do bebê, e não ao leite fornecido pela mãe. Além disso, pequenas dificuldades do recém-nascido para coordenar a sucção, a deglutição e a postura durante a mamada também contribuem para o surgimento da cólica.
O leite materno é produzido a partir dos nutrientes presentes na corrente sanguínea da mulher. O sistema digestivo materno processa a comida, e apenas vitaminas, minerais, proteínas e gorduras quebradas chegam ao sangue e, posteriormente, às glândulas mamárias. Assim, a comida em si não vai diretamente para o estômago da criança.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que as lactantes mantenham uma dieta variada e equilibrada. A mulher pode comer de tudo, observando sempre o comportamento da criança. O corpo do recém-nascido está aprendendo a digerir, e as dores tendem a diminuir gradativamente após o terceiro mês.
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O maior mito da amamentação envolve as leguminosas e os vegetais crucíferos. Alimentos como feijão, lentilha, brócolis, couve-flor e repolho possuem carboidratos complexos que fermentam no intestino grosso da mãe. Esse processo produz gases que causam desconforto abdominal apenas na mulher.
O gás carbônico e o metano gerados nessa fermentação não entram na corrente sanguínea. Sem chegar ao sangue, essas moléculas não têm como alcançar as glândulas mamárias. O leite materno não fica com gases por conta do prato escolhido pela mãe.
Se a mãe sente vontade de comer feijão, ela pode manter o alimento na rotina. Uma dica para reduzir o desconforto intestinal materno é deixar os grãos de molho na água por cerca de 12 horas antes do cozimento. Isso ajuda a diminuir os compostos que provocam a fermentação local.
Embora não existam proibições estritas de alimentos naturais, alguns itens consumidos em grande quantidade alteram sutilmente a composição do leite ou deixam resíduos que agitam a criança. A moderação é fundamental para evitar episódios de choro que se confundem com cólica.
Veja os itens que exigem atenção redobrada durante os primeiros meses:
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A única restrição alimentar severa comprovada no manejo de cólicas intensas envolve a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Diferente da intolerância à lactose, que é raríssima em bebês, a APLV é uma reação do sistema de defesa do organismo. As proteínas do leite e seus derivados consumidos pela mãe passam em pequenas quantidades para o leite materno.
Quando a criança possui essa alergia, o contato com a proteína gera um processo inflamatório intenso. As cólicas comuns se tornam episódios de choro prolongado. Nesses casos, tirar o leite da alimentação da mãe traz alívio perceptível após algumas semanas.
No entanto, a ciência reforça que cortar apenas o leite da dieta materna sem acompanhamento não reduz a cólica comum. Restrições alimentares severas só devem ocorrer sob orientação médica quando existe suspeita clara de alergia. A exclusão desnecessária de laticínios prejudica a saúde óssea da mulher sem trazer benefícios ao bebê.
Procure um pediatra imediatamente se a cólica vier acompanhada dos seguintes sinais:
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A flexibilidade da dieta na amamentação tem um limite claro quando se trata de bebidas alcoólicas. O álcool consumido pela mãe passa rapidamente e de forma direta para o leite materno, na mesma concentração presente no sangue.
O fígado do recém-nascido não consegue processar o álcool. O consumo afeta o desenvolvimento do bebê, altera o padrão de sono e diminui a produção de leite. Não existe uma quantidade segura de álcool estabelecida para lactantes.
Outra prática perigosa são as dietas altamente restritivas para perda de peso rápida. A produção de leite demanda um gasto energético elevado. Privar o corpo de nutrientes gera fraqueza, queda de cabelo e pode comprometer o volume de leite oferecido à criança.
Em vez de buscar culpados no prato de comida, a família pode adotar medidas físicas para ajudar o sistema digestivo do bebê a amadurecer com menos dor. O acolhimento e o contato físico são recursos valiosos para enfrentar as crises diárias.
Tente as seguintes abordagens durante os episódios de choro:
As cólicas testam a paciência e a resistência física da família, mas são uma fase passageira. Manter-se nutrida, hidratada e com apoio médico adequado garante que a mulher enfrente os primeiros meses da maternidade com mais segurança e saúde.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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