O sangramento vaginal anormal, especialmente após a menopausa, é o sinal mais comum da doença e exige avaliação ginecológica.
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Você vai ao banheiro e, ao se limpar, nota uma mancha de sangue no papel higiênico ou na calcinha. Se você já passou pela menopausa, essa cena causa estranheza. O sangramento inesperado é o principal sinal de alerta do câncer de endométrio.
O endométrio é a camada interna do útero, aquela que descama e gera a menstruação nas mulheres em idade reprodutiva. Quando células malignas se multiplicam nessa região, o corpo sinaliza o problema por meio do sangramento uterino anormal. Esse sintoma pode se manifestar desde um pequeno "escape" rosado ou marrom até um fluxo vermelho intenso.
Apresentar esse tipo de sangramento ou alterações no corrimento não confirma o um tumor. Condições benignas, como pólipos ou oscilações hormonais, provocam sinais parecidos. Porém, qualquer perda de sangue após a menopausa ou mudanças bruscas no padrão menstrual exigem avaliação médica para descartar riscos ou iniciar o tratamento.
O conceito de sangramento anormal varia conforme a fase reprodutiva da mulher. Após a menopausa, caracterizada pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, qualquer sangramento pela vagina é considerado atípico. Não importa a quantidade, a cor ou a duração do sangramento: uma única gota exige investigação ginecológica.
Para as mulheres que ainda menstruam, a identificação do sintoma exige observar o próprio padrão de ciclo. O alerta surge quando o sangramento ocorre fora da época esperada. Isso inclui pequenos escapes entre as menstruações, conhecidos como sangramento de escape (ou spotting).
Outro fator de atenção na pré-menopausa é a mudança no volume menstrual. Menstruações que se tornam repentinamente mais longas ou com fluxo muito mais intenso do que o habitual também se enquadram como sangramento uterino anormal e precisam ser relatadas ao médico.
Embora o sangramento seja o sinal mais frequente, o câncer de endométrio também pode provocar alterações na secreção vaginal. Algumas pacientes não apresentam sangue visível no início, mas notam uma mudança expressiva no aspecto do corrimento do dia a dia.
O corrimento suspeito costuma ser ralo e aquoso, diferente da secreção natural do corpo. Em alguns casos, ele apresenta um odor forte e desagradável, e pode vir acompanhado de raias de sangue, ganhando um tom levemente rosado ou amarronzado escuro.
As perdas de sangue fora do padrão e essas secreções atípicas demandam atenção médica sem demora. Quando a doença é identificada de forma precoce, a taxa de sobrevida pode chegar a cerca de 95%.
As infecções vaginais comuns são as principais causas de mudanças no corrimento. Se o tratamento para infecção for realizado e a secreção atípica persistir, o médico poderá solicitar exames de imagem para avaliar a espessura do endométrio.
O câncer de endométrio costuma ser detectado ainda em estágios iniciais, justamente porque os sangramentos atípicos surgem cedo e levam a mulher à consulta. Reconhecer esses sinais logo no começo permite identificar a enfermidade quando ela ainda está confinada ao útero, situação em que a sobrevida ultrapassa os 90%.
Quando a doença avança além da camada interna do útero, outros sintomas físicos começam a se manifestar. A dor pélvica é o principal sinal de que a lesão pode estar crescendo. A paciente relata uma sensação de pressão constante, peso ou dor na parte baixa do abdômen, incômodo que também pode se estender para a região lombar.
Outros sintomas sistêmicos surgem à medida que a condição afeta estruturas vizinhas. Entre os sinais tardios, destacam-se:
O câncer de endométrio está fortemente ligado à exposição prolongada do útero ao estrogênio. Quando há muito estrogênio e pouca progesterona no corpo, a camada interna do útero é estimulada a crescer de forma desordenada, o que favorece mutações celulares.
A obesidade se destaca entre os principais fatores de risco da doença, podendo elevar a chance de desenvolvimento do tumor em até cinco vezes. Isso ocorre porque o tecido de gordura converte outros hormônios em estrogênio adicional. Por esse motivo, a presença de sangramentos em mulheres com sobrepeso ou obesidade exige investigação detalhada.
Condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), histórico de ausência de gravidez e o início precoce da menstruação aliados à menopausa tardia também aumentam o tempo de exposição ao estrogênio. O uso de terapia de reposição hormonal contendo apenas estrogênio (sem progesterona) em mulheres que ainda possuem útero é outro fator monitorado de perto pelos especialistas.
Leia também: Com quantos anos pode ter câncer de mama? Entenda os riscos
A presença de fatores de risco não significa que a doença ocorrerá, assim como a ausência deles não garante proteção total. O critério mais seguro para a saúde feminina é a observação atenta do próprio corpo.
Marque uma consulta com um ginecologista se você identificar:
Durante a consulta, a investigação do sangramento por meio da ultrassonografia transvaginal é fundamental para medir a espessura da parede uterina. Esse exame inicial simples é determinante para flagrar lesões em fase inicial. Caso a medida esteja aumentada, o médico indicará uma biópsia endometrial para fechar o diagnóstico definitivo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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