Revisado em: 14/05/2026
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Febre e dores no corpo podem ser os primeiros sinais da hantavirose; contato com roedores aumenta o risco de contaminação pelo vírus

A hantavirose é uma doença que tem despertado preocupação. No dia 2 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) notificou a contaminação de passageiros de um navio cruzeiro pelo hantavírus. Desde então, as notificações de casos pelo mundo ganharam repercussão.
No Brasil, ainda em 2026, foram registrados um óbito e sete casos. Segundo a OMS, a variante circulante é o vírus Andes, encontrado na América do Sul. Mas os casos do cruzeiro não estão ligados aos vistos no país.
Os sintomas de hantavírus iniciais podem ser confundidos com aqueles da gripe comum, podendo atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados. O indivíduo pode apresentar febre alta e repentina, dores musculares, dor de cabeça intensa e dor abdominal.
A doença costuma evoluir rapidamente para casos graves. Não ignore sintomas persistentes após contato com áreas rurais ou locais com roedores. Agende uma avaliação médica na Rede Américas.
O hantavírus é um patógeno que tem como reservatórios naturais os roedores silvestres, que podem carregar o vírus por toda a vida sem apresentar sinais de adoecimento. A eliminação do microrganismo é feita pela urina, fezes e saliva dos animais.
A doença se manifesta predominantemente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), no Brasil. Sendo ela caracterizada por um grave comprometimento respiratório e cardíaco.
Em outras regiões do mundo, como Europa e Ásia, a manifestação mais frequente é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), que afeta principalmente os rins. A interação humana com os habitats dos roedores, impulsionada pelo desmatamento e pela expansão agrícola, tem aumentado o risco de exposição.
Os sintomas de hantavírus se manifestam de acordo com cada fase da doença. Inicialmente, o quadro clínico é inespecífico, com bastante semelhança a outras infecções virais.
Esse é o primeiro estágio do processo infeccioso, com duração de cerca de seis dias. Mas pode se estender por até 15 dias, e logo após o período o indivíduo começa a se recuperar.
As manifestações clínicas mais frequentes são a febre, dores musculares (mialgias), dor lombar e abdominal, astenia (fraqueza acentuada) e dor de cabeça intensa. Pode haver também sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos e diarreia.
O surgimento de uma tosse seca é um sinal de alerta para a progressão da infecção. É um forte indicativo de que ela pode estar evoluindo para a fase cardiopulmonar.
Nesse estágio, a característica inicial costuma ser a tosse seca. Mas em alguns casos ela pode vir acompanhada de secreção, a chamada tosse produtiva. A taquicardia (coração acelerado) também pode fazer parte do quadro clínico.
Assim como o baixo nível de oxigênio no sangue (hipoxemia) e a respiração ofegante e com bastante esforço (taquidispneia). É comum que os pacientes apresentem derrame pleural bilateral. O organismo pode também mostrar sinais de algum comprometimento renal, sendo ele de leve a moderado.
Ainda assim, é possível que nessa fase o indivíduo desenvolva insuficiência renal aguda, principalmente se o patógeno causador não circular no Brasil. Por ser considerada mais grave, o risco de óbito é maior nesse etapa. A duração é de 4 a 5 dias.
O quadro clínico dessa fase costuma acontecer por 5 dias, mas pode se prolongar com cada vez menos intensidade, até a última etapa. Nela a pessoa apresenta aumento da diurese, com maior intensidade nos cinco primeiros dias.
Na convalescença ocorre uma melhora paulatina dos sinais e sintomas, que acontece entre duas semanas e dois meses. Também há uma lenta recuperação da função respiratória até que haja a recuperação total.
O período de incubação do hantavírus é variável. Isso significa dizer que o tempo decorrido entre a exposição viral e os primeiros sintomas de hantavirose não tem um prazo determinado. Eles começam a surgir, em média, entre 1 e 5 semanas após o contágio, mas o intervalo pode variar de 3 a 60 dias.
Essa janela de tempo ampla reforça a importância de relatar ao médico qualquer histórico recente de contato com áreas rurais e ambientes propícios à presença de roedores. A comunicação é importante mesmo que a exposição tenha ocorrido semanas antes do início da sintomatologia.
A principal diferença está na rápida evolução da hantavirose para um quadro de insuficiência respiratória aguda, com tosse seca e falta de ar intensa.
Essas manifestações não são típicas da dengue, e quando aparecem na gripe costumam estar acompanhadas de secreção nasal e dor de garganta. Confira abaixo um quadro comparativo entre as infecções.
O diagnóstico é um desafio, por causa da similaridade dos quadros febris e inespecíficos dos processos infecciosos. A investigação também pode incluir a suspeita de outras doenças como leptospirose, Covid-19 e febre amarela.
Para além dos sintomas, o médico observa também o histórico de exposição a áreas de risco. A confirmação é feita por meio de exames laboratoriais específicos, como a sorologia (ELISA-IgM) e RT-PCR. Eles são responsáveis por detectar a presença do microrganismo no sangue do paciente.
A principal forma de transmissão da hantavirose para os seres humanos é pela inalação de partículas formadas a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Quando os excrementos secam, o vírus pode ficar no ar junto com a poeira. Sendo inalado pelas pessoas em ambientes fechados ou mal ventilados.
Existem outras formas menos comuns de contaminação, como a que acontece através de lesões na pele, como escoriações ou mordeduras de roedores. Pode acontecer também ao ter contato com mucosas, ao tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos contaminadas.
A propagação pode ocorrer de pessoa para pessoa, o que acontece de forma esporádica. Esse modo está associado especificamente ao hantavírus Andes, que geralmente é relatado na Argentina e Chile.
Atualmente não existe um tratamento antiviral específico. O manejo está baseado em medidas de suporte intensivo, que devem começar o mais rápido possível. Ele foca em aliviar os sintomas de hantavírus e manter as funções vitais do paciente.
Pode ser necessária a internação hospitalar em UTI, por causa da rápida evolução e gravidade da doença. Em casos de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, a abordagem terapêutica pode incluir oxigenoterapia ou ventilação mecânica para a insuficiência respiratória.
O tratamento para o hantavírus também visa controlar a pressão arterial e manter a hidratação. Além de fazer o monitoramento contínuo das funções vitais. Para a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal, pode ser necessária a diálise se os rins forem afetados.
A prevenção está na implementação de medidas que impedem o contato de humanos com roedores silvestres e seus dejetos. O controle de roedores é uma delas. Ele deve ser feito através da limpeza adequada de terrenos ao redor de casas e construções e da destinação específica de entulhos e lixo.
O uso de equipamentos de proteção ao limpar locais fechados e empoeirados também deve ser feito. A utilização de luvas e máscaras e umedecer o local com água sanitária antes da limpeza é essencial para evitar a inalação de aerossóis contaminados. O ideal é ventilar o ambiente por pelo menos 30 minutos antes de entrar e nunca varrer a seco.
O recomendado para trabalhadores rurais e profissionais de saúde em áreas de risco é de que usem equipamentos de proteção individual (EPI’s) adequados, a exemplo de aventais e óculos de proteção.
Para quem gosta de acampar, a prevenção acontece ao montar acampamentos longe locais com sinais de roedores. Também é necessário não repousar diretamente no chão e manter alimentos e resíduos em vasilhames fechados.
Os sintomas de hantavírus podem parecer inofensivos e facilmente confundíveis com os de uma gripe simples. Mas a hantavirose é capaz de evoluir rapidamente para um quadro de insuficiência respiratória grave e potencialmente fatal.
Diante de sinais suspeitos, como febre, dores no corpo e dificuldade para respirar, é importante buscar por uma avaliação médica. O diagnóstico precoce e o suporte hospitalar adequado são essenciais para o manejo da doença.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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