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Revisado em: 25/05/2026

Mastectomia bilateral: quando a cirurgia é indicada e cuidados pós-operatórios

Uma decisão complexa que envolve saúde, prevenção e o futuro. Entenda as etapas da remoção cirúrgica de ambas as mamas.

Resumo
  • A mastectomia bilateral é a remoção cirúrgica de ambas as mamas para tratar ou prevenir o câncer.
  • Pode ser indicada para mulheres com câncer nas duas mamas ou com alto risco genético, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
  • Existem diferentes técnicas cirúrgicas, algumas que preservam a pele ou o mamilo, permitindo melhores resultados estéticos.
  • A reconstrução mamária pode ser feita na mesma cirurgia (imediata) ou depois, com próteses ou tecido do próprio corpo.
  • O apoio psicológico e uma equipe multidisciplinar são essenciais para lidar com o impacto físico e emocional do procedimento.

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Receber o resultado de um teste genético ou o diagnóstico de um câncer de mama pode ser um momento de grande incerteza. Entre as opções de tratamento e prevenção, surge um termo técnico que carrega um peso significativo: a mastectomia bilateral. Essa decisão, embora difícil, é um passo importante na jornada de saúde de muitas mulheres.

Mastologistas são os médicos que atendem esse tipo de demanda e dão o devido acompanhamento. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.

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O que é a mastectomia bilateral?

A mastectomia bilateral, também conhecida como mastectomia dupla, é o procedimento cirúrgico para a remoção completa de ambas as mamas. O objetivo principal é tratar um câncer já existente ou reduzir drasticamente o risco de desenvolver a doença no futuro. 

Essa abordagem é considerada uma solução definitiva, minimizando o risco de retorno da doença e contribuindo para o bem-estar emocional e físico da paciente.

É fundamental diferenciar as duas principais finalidades da cirurgia:

  • Terapêutica: quando o câncer de mama é diagnosticado em ambos os seios simultaneamente.
  • Profilática (ou redutora de risco): realizada preventivamente em mulheres que, apesar de não terem câncer, apresentam um risco genético muito elevado para desenvolvê-lo.

Leia também: O que é a mastectomia radical e quando ela é indicada

Quando a cirurgia de retirada das duas mamas é indicada?

A indicação para uma mastectomia bilateral é uma decisão médica complexa, baseada em uma avaliação criteriosa de fatores de risco, exames e, claro, a vontade da paciente. A conversa com a equipe médica, que geralmente inclui mastologista e oncologista, é essencial.

As principais situações que levam a essa recomendação incluem:

  1. Diagnóstico de câncer de mama bilateral: quando tumores são encontrados em ambas as mamas.
  2. Mutações genéticas de alto risco: mulheres portadoras de mutações em genes como o BRCA1 e BRCA2 têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de mama e ovário. Nesses casos, a cirurgia preventiva pode reduzir o risco de desenvolver câncer de mama em mais de 90%.
  3. Forte histórico familiar: mesmo sem a confirmação de uma mutação genética, um histórico familiar denso (com vários parentes de primeiro grau com a doença) pode justificar a cirurgia preventiva.
  4. Histórico de radioterapia torácica: mulheres que fizeram radioterapia na região do tórax antes dos 30 anos, para tratar outras doenças como o linfoma de Hodgkin, também possuem um risco aumentado.

Leia também: Quando a mastectomia com reconstrução imediata é indicada?

Quais são os tipos de mastectomia existentes?

A cirurgia evoluiu muito, e hoje existem técnicas que buscam preservar ao máximo a pele e a aparência da mama, facilitando a reconstrução. A escolha do tipo de mastectomia depende da localização e do tamanho do tumor, além das características anatômicas da paciente.

Os principais tipos são:

  • Mastectomia simples ou total: remove todo o tecido mamário, incluindo aréola e mamilo, mas preserva os músculos peitorais.
  • Mastectomia radical modificada: além do tecido mamário, retira também os linfonodos (gânglios) da axila para verificar se o câncer se espalhou.
  • Mastectomia poupadora de pele: remove o tecido mamário, mamilo e aréola, mas mantém a maior parte da pele da mama, criando um "envelope" para a reconstrução.
  • Mastectomia poupadora de mamilo: uma técnica mais avançada que preserva o complexo aréolo-mamilar, indicada em casos específicos onde não há envolvimento tumoral dessa estrutura. A preservação do mamilo, quando possível, pode favorecer o bem-estar emocional da paciente.

Como funciona a reconstrução mamária após a mastectomia?

A reconstrução da mama é considerada parte integral do tratamento. Ela pode ser realizada no mesmo ato cirúrgico da mastectomia (reconstrução imediata) ou em um segundo momento (reconstrução tardia). A decisão é compartilhada entre a paciente e a equipe, que inclui um cirurgião plástico.

Existem duas abordagens principais para reconstruir as mamas:

Tipo de Reconstrução

Descrição

Com implantes

Utiliza próteses de silicone ou expansores de tecido, que são colocados sob a pele ou o músculo peitoral para criar o novo volume mamário.

Com tecido autólogo

Usa tecidos (pele, gordura e, por vezes, músculo) de outras partes do corpo da própria paciente, como o abdômen ou as costas, para reconstruir a mama.

Cada método tem suas vantagens e desvantagens, e a escolha ideal depende da condição de saúde geral, do tipo de mastectomia e das expectativas da paciente.

O que esperar da recuperação e do pós-operatório?

A recuperação da mastectomia bilateral varia de mulher para mulher, mas alguns cuidados são comuns. Geralmente, o período de internação hospitalar é de um a três dias. É comum o uso de drenos por alguns dias ou semanas para remover o excesso de líquido da área operada.

A recuperação física de uma mastectomia bilateral pode ser similar à de uma cirurgia de mama única, o que facilita a reabilitação em casa. No entanto, é fundamental reconhecer o grande impacto emocional do procedimento e buscar o apoio necessário.

O pós-operatório pode envolver dor, inchaço e uma sensação de aperto no peito e nos braços. A fisioterapia é fundamental para ajudar a recuperar a amplitude de movimento dos ombros e braços. Alterações na sensibilidade da pele do tórax são esperadas e, em alguns casos, pode ocorrer a sensação de "membro fantasma".

Para gerenciar o pós-operatório, o uso de curativos de pressão negativa após a mastectomia bilateral tem se mostrado eficaz. Essa técnica pode reduzir o desconforto e diminuir a necessidade de procedimentos adicionais para retirar líquidos acumulados, como as drenagens dolorosas, melhorando a experiência da paciente.

Como lidar com o impacto emocional e a imagem corporal?

Passar por uma mastectomia bilateral é uma jornada com profundo impacto emocional. A cirurgia afeta diretamente a imagem corporal e a percepção da feminilidade. Por isso, o cuidado com a saúde mental é tão importante quanto o cuidado físico.

Para muitas mulheres, a decisão de não realizar a reconstrução mamária após uma mastectomia bilateral também pode levar a altos níveis de satisfação. Essas pacientes geralmente priorizam a simetria corporal e o menor risco cirúrgico, evidenciando a importância da escolha individual para o bem-estar e a imagem corporal.

Buscar apoio psicológico especializado pode ajudar a navegar sentimentos de luto, ansiedade e medo. Grupos de apoio com outras mulheres que passaram pela mesma experiência também oferecem um espaço seguro para compartilhar e acolher. A comunicação aberta com parceiros, familiares e amigos é crucial para construir uma rede de suporte sólida.

É um processo de adaptação e ressignificação. Lembre-se que a decisão pela cirurgia é um ato de coragem e autocuidado, seja para tratar uma doença ou para proteger sua saúde futura. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas e psicólogos, é o caminho para uma recuperação mais completa e saudável.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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