O que causa diverticulite? Saiba quais são os fatores de risco e como prevenir
A diverticulite acontece quando pequenas bolsas no intestino inflamam; o problema pode estar ligado à alimentação e aos hábitos da rotina
Resumo
A diverticulite acontece quando pequenas bolsas no intestino inflamam, geralmente por pressão interna e acúmulo de fezes e o quadro pode evoluir para uma infecção;
A alimentação com pouca fibra é um dos principais fatores de risco, pois deixa as fezes mais duras e aumenta o esforço para evacuar;
O envelhecimento e hábitos como sedentarismo, tabagismo e excesso de peso aumentam o risco da doença e de crises mais intensas;
A dor costuma ser forte, não passa e fica em um ponto da barriga, podendo vir com febre, vômitos e mudanças no funcionamento do intestino;
O diagnóstico depende de avaliação médica e exames, e a prevenção envolve alimentação adequada, ingestão de água e prática de atividade física.
Essas bolsas aparecem ao longo do tempo, principalmente no intestino grosso, e podem inflamar em algumas pessoas. A pressão dentro do intestino e o acúmulo de fezes estão entre os fatores relacionados ao problema.
Fatores como excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e uso de alguns remédios também aumentam o risco de diverticulite. No geral, a identificação das causas ajuda na prevenção e no tratamento, que deve ser indicado por um especialista.
Gastroenterologistas são os médicos que podem acompanhar o diagnóstico e o tratamento de pacientes com diverticulite. A Rede Américas conta com profissionais renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
Para entender a diverticulite, é importante conhecer a diverticulose. A diverticulose é a presença de pequenas bolsas, chamadas divertículos, que se formam na parede do intestino grosso. Essas bolsas aparecem em pontos mais frágeis do intestino, geralmente por causa do aumento da pressão interna ao longo dos anos.
A diverticulite acontece quando uma ou mais dessas bolsas inflamam ou infeccionam. Esse processo pode causar complicações, como acúmulo de pus ou até perfurações no intestino. A inflamação costuma ocorrer quando a entrada do divertículo fica bloqueada, muitas vezes por fezes duras, o que aumenta a proliferação de bactérias e o início da infecção.
A formação dos divertículos e a inflamação não acontecem só por um motivo. Esse processo envolve vários fatores, principalmente ligados à alimentação e aos hábitos da rotina do paciente, que podem aumentar a pressão dentro do intestino grosso.
Dieta pobre em fibras
A alimentação com pouca fibra é o principal fator de risco para o aparecimento da diverticulite, e é algo comum em dietas com muitos alimentos processados, deixando as fezes mais secas e duras. Isso faz com que o intestino precise fazer mais esforço para evacuar, o que aumenta a pressão interna ao longo do tempo e favorece a formação dos divertículos.
Envelhecimento
Com o passar dos anos, a parede do intestino perde parte da elasticidade e da força. Essa mudança facilita o surgimento de divertículos. Por isso, a diverticulite é mais comum após os 50 anos, embora possa acontecer em qualquer idade.
Estilo de vida
Outros hábitos também podem aumentar o risco de desenvolver o problema, como:
Tabagismo: o hábito de fumar está associado a várias doenças inflamatórias, incluindo a diverticulite;
Sedentarismo: a falta de atividade física pode deixar o intestino mais lento, o que favorece a prisão de ventre;
Excesso de peso: o sobrepeso está ligado a inflamações no corpo e ao aumento da pressão na barriga. A gordura abdominal pode aumentar o risco de crises de diverticulite.
Esses hábitos também podem deixar as crises da doença mais fortes e aumentar o risco de complicações, como infecções que podem precisar de tratamento no hospital.
Uso de alguns medicamentos
O uso frequente de alguns remédios pode aumentar o risco de complicações. Anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, e corticoides podem afetar a proteção natural do intestino, segundo um estudo publicado na revista científica Gastroenterology.
A dor da diverticulite não é igual a uma cólica. Ela costuma ser mais forte, não passar e estar em um ponto específico da barriga, muitas vezes com febre e, em alguns casos, vômitos, o que pode indicar um quadro de inflamação mais avançado. Assim, os sintomas mais comuns são:
Mudanças no intestino: pode haver tanto prisão de ventre quanto diarreia;
Sensibilidade ao toque: a região dolorida da barriga fica sensível quando é pressionada;
Febre, calafrios e vômitos: esses sinais indicam infecção e podem mostrar que a inflamação está mais avançada;
Dor na barriga: costuma ser forte e não passar, diferente de uma cólica comum. Geralmente aparece no lado esquerdo da parte baixa do abdômen, mas em algumas pessoas pode surgir do lado direito.
A intensidade dos sintomas pode variar de pessoa para pessoa e, em alguns casos, piorar rápido, o que exige atenção aos sinais do corpo.
O diagnóstico da diverticulite não deve ser feito por conta própria. Ao apresentar os sintomas, é importante que o paciente procure uma avaliação médica, geralmente com um gastroenterologista ou um coloproctologista.
O especialista costuma examinar a barriga para identificar o local da dor e verificar sensibilidade. Ele também pode pedir exames de sangue, que ajudam a identificar sinais de infecção. Em muitos casos, a tomografia do abdômen é usada para confirmar a inflamação, avaliar a gravidade do quadro e descartar outras causas de dor.
É possível prevenir a diverticulite?
A prevenção da diverticulite está ligada a hábitos que ajudam a manter o intestino funcionando do jeito certo. Sendo assim, as principais medidas focam em evitar a prisão de ventre e diminuir a pressão dentro do intestino grosso, o que pode ser feito ao:
Estratégia de prevenção
Como aplicar na rotina
Aumentar o consumo de fibras
Uma boa alimentação deve incluir mais frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas
A prática regular de atividade física contribui para o bom funcionamento do intestino e ajuda a manter o peso adequado
Não ignorar a vontade de evacuar
Segurar a vontade de ir ao banheiro pode deixar as fezes mais ressecadas, o que aumenta o esforço na evacuação
É importante saber, também, que, hoje, se sabe que uma ideia antiga não se confirma: consumir sementes, grãos e nozes não aumenta o risco de diverticulite em quem já tem divertículos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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