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Hantavírus: transmissão e como ele chega ao organismo

Infecções por hantavírus são incomuns no mundo inteiro e têm taxa de letalidade de até 50% na América Latina

Resumo
  • Inalação de partículas liberadas por roedores silvestres podem aumentar a transmissão
  • O contato com fezes, urina e saliva de roedores aumenta o risco de infecção
  • Trabalhadores rurais são o grupo mais exposto ao contágio por hantavírus
  • Febre, dores musculares e cansaço após exposição exigem avaliação médica
  • Uso de máscaras com filtro, luvas e roupas que cubram o corpo é parte importante da prevenção
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O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas liberadas por roedores silvestres infectados. O contato direto com as fezes, urina ou saliva desses animais também representa um risco, assim como as mordidas e arranhões. No geral, a transmissão entre pessoas é rara e não é a forma predominante de circulação do vírus.

O primeiro passo é entender como a transmissão acontece para evitar a exposição ao vírus. E diferente do que o episódio recente no cruzeiro pode sugerir, o risco real no Brasil está concentrado em ambientes rurais e em situações bastante específicas do cotidiano de quem trabalha ou vive no campo.

Caso você suspeite de um possível contágio, médicos infectologistas podem acompanhar esse tipo de quadro e o respectivo tratamento. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.

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O que é o hantavírus?

O hantavírus é um vírus do gênero Orthohantavirus, presente em diversas partes do mundo. No Brasil, ele causa a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, a SCPH, uma doença grave que compromete pulmões e coração.

Esse vírus circula em roedores silvestres sem causar nenhum tipo de doença nesses animais. Eles são os reservatórios naturais desses vírus. O problema começa quando o ser humano entra em contato com ambientes frequentados por esses roedores.

Como acontece a transmissão do hantavírus?

A forma mais comum de transmissão é pela inalação. Quando um roedor infectado urina, defeca ou libera saliva no ambiente, partículas microscópicas ficam suspensas no ar. Quando a pessoa respira nesse espaço, ela pode inalar essas partículas e contrair o vírus.

Esse contágio acontece com mais frequência em situações como:

  • entrar em ambientes fechados e sem ventilação que ficaram abandonados por algum tempo, como celeiros, depósitos e casas de campo;
  • limpar locais com fezes ou ninhos de roedores sem nenhuma proteção adequada;
  • trabalhar em lavouras durante a colheita.

Durante a época de colheita, os roedores são deslocados de seu habitat natural e entram em contato próximo com os trabalhadores rurais que estão na área.

O contato direto com o roedor, por meio de mordida ou arranhão, também é uma via de transmissão, mas menos comum do que a inalação.

A transmissão pelo toque em superfícies contaminadas seguido de contato com olhos, nariz ou boca também é possível. Nesses casos, o risco tende a ser menor em comparação direto com a via respiratória.

É importante estabelecer a diferença entre o hantavírus e a leptospirose. Nesse último, a infecção pode afetar qualquer pessoa que se exponha a água contaminada pela urina de animais contaminados. Essa doença é mais frequente em épocas de chuvas e enchentes.

O que fazer se houver exposição a ambientes contaminados?

Qualquer pessoa que teve contato com ambiente possivelmente contaminado e desenvolver febre, dores musculares intensas e cansaço nas semanas seguintes deve procurar atendimento médico. É importante informar sobre a exposição. Esses sintomas iniciais do hantavírus podem ser confundidos com outras doenças, por isso a avaliação médica é imprescindível.

É o diagnóstico precoce que muda o desfecho da história. Se a suspeita existir, o médico pode conduzir o tratamento disponível contra o hantavírus e ir acompanhando a evolução do quadro. Não espere que os sintomas piorem para buscar atendimento médico.

A transmissão do hantavírus acontece entre pessoas?

Na maioria das variantes do hantavírus, incluindo as que circulam no Brasil, não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus não se comporta como o da gripe ou o da covid-19.

Existe uma exceção relevante: uma variante sul-americana chamada de vírus Andes, identificada principalmente no Chile e na Argentina, tem potencial de transmissão interpessoal documentado em alguns casos. Essa característica é monitorada de perto por pesquisadores e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e foi citada no contexto do surto recente no Atlântico.

No Brasil, os casos seguem o padrão habitual de transmissão por roedores, mas sem evidência de transmissão entre humanos.

Quem tem mais risco de exposição?

Trabalhadores rurais que atuam em lavouras de milho, cana-de-açúcar, arroz e soja estão entre os mais expostos, com risco maior durante os períodos de colheita. Pessoas que frequentam ou limpam ambientes rurais sem uso de proteção também integram esse grupo.

Segundo o Ministério da Saúde, os estados com maior registro de casos no Brasil são:

  • Pará,
  • Rondônia,
  • Amazonas,
  • Bahia,
  • São Paulo,
  • Minas Gerais,
  • Rio de Janeiro,
  • Rio Grande do Sul,
  • Paraná,
  • Santa Catarina,
  • Mato Grosso,
  • Maranhão,
  • Rio Grande do Norte,
  • Goiás,
  • Distrito Federal e
  • Mato Grosso do Sul.

Juntos, esses estados concentram a maior parte das notificações anuais. A doença tem sazonalidade ligada ao ciclo das colheitas e ao aumento da densidade de roedores em determinadas épocas do ano.

Como se proteger contra o hantavírus?

As medidas de proteção tendem a ser bastante eficazes quando seguidas de maneira correta.

Em ambientes com risco de presença de roedores, o uso de máscara com filtro para partículas, luvas e roupas que cubram braços e pernas é fundamental. Antes de entrar em locais fechados e com sinais de presença de roedores, ventilar o ambiente por pelo menos 30 minutos reduz a concentração de partículas no ar.

A limpeza de fezes, ninhos ou carcaças de roedores deve ser feita com pano úmido ou borrifando água com hipoclorito antes de varrer, nunca a seco. Varrer a seco levanta exatamente as partículas que representam risco de inalação. É um detalhe simples que faz diferença real na prevenção.

O armazenamento adequado de alimentos em recipientes fechados e o controle de roedores nas propriedades rurais também ajudam a reduzir a circulação do vírus no ambiente ao longo do tempo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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