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Revisado em: 14/09/2026

Tratamentos para transtorno de personalidade borderline: veja indicações

O borderline pode afetar a forma como a pessoa lida com as emoções, os relacionamentos e a própria imagem; a psicoterapia e alguns remédios podem ajudar a controlar os sintomas

Resumo
  • O transtorno borderline afeta a forma como a pessoa percebe a si mesma, reage ao que sente e se relaciona com outros, podendo causar dificuldades na rotina;
  • Os sintomas podem prejudicar relacionamentos, estudos e trabalho, além de dificultar tarefas do dia a dia e a manutenção de compromissos e responsabilidades;
  • A psicoterapia é a base do tratamento e pode usar várias abordagens, e remédios são indicados em casos específicos ou para transtornos que também surjam juntos;
  • O acompanhamento pode durar meses ou anos, e muitas pessoas apresentam uma redução importante dos sintomas e podem entrar em remissão ao longo do tempo;
  • O psiquiatra pode avaliar os sinais e definir a necessidade de acompanhamento, enquanto situações com risco de suicídio ou agressão exigem atendimento na hora.

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O tratamento do transtorno borderline é feito principalmente com psicoterapia. Em alguns casos, o médico também pode indicar remédios para tratar outros transtornos que surgem junto, mas a escolha depende dos sintomas e das necessidades de cada pessoa.

Os pacientes diagnosticados com a condição podem vivenciar mudanças intensas de humor, medo de abandono, relações instáveis, impulsividade e dificuldade para controlar as emoções, sintomas que costumam afetar a vida pessoal, o trabalho e os relacionamentos.

Nesse sentido, a psicoterapia ajuda a pessoa a lidar melhor com as emoções, os impulsos e os conflitos nos relacionamentos. A terapia comportamental dialética é uma das abordagens estudadas para o quadro e pode ser indicada em casos de autolesão recorrente.

Psiquiatras são os médicos que podem diagnosticar, acompanhar e tratar pacientes com transtorno borderline. A Rede Américas conta com profissionais renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.

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O que é transtorno de personalidade borderline?

O transtorno borderline é uma condição de saúde mental que afeta a forma como o paciente se vê, lida com as próprias emoções e se relaciona com outras pessoas. Essas dificuldades costumam fazer parte da rotina e podem aparecer em várias situações.

O quadro faz parte do grupo dos transtornos de personalidade, que reúne condições que alteram a forma de pensar, sentir e agir, afetando o cotidiano e a forma como a pessoa se relaciona com os outros.

O borderline não tem uma causa única, pois fatores biológicos, psicológicos e relacionados ao desenvolvimento podem participar do aparecimento do transtorno, em uma combinação que varia de um indivíduo para outro.

O diagnóstico é feito por um profissional de saúde mental, que avalia a história da pessoa e a forma como ela funciona ao longo dos anos. Essa avaliação também ajuda a diferenciar o borderline de outras condições que podem ter características parecidas.

Como o transtorno afeta a vida do paciente?

O transtorno de personalidade borderline pode dificultar a convivência da pessoa com familiares, parceiros, amigos e colegas, e os conflitos e as dificuldades para manter as relações podem levar a afastamentos e interferir na vida social.

No trabalho e nos estudos, o quadro pode afetar o desempenho, a continuidade das tarefas e a permanência nesses locais. Segundo uma revisão publicada no Journal of Personality Disorders, os pacientes podem ter muitos problemas nas áreas e menor qualidade de vida.

A rotina também pode ficar mais difícil, com problemas para manter atividades de casa, cuidados pessoais, compromissos e outras responsabilidades. Mesmo assim, o impacto varia de uma pessoa para outra e depende do quadro e das condições de vida de cada um.

Leia também: O borderline tem cura? Entenda os tratamentos e a remissão

Quais são os tratamentos para o transtorno borderline?

O tratamento do borderline é definido conforme as necessidades de cada um e pode ser mudado com o passar do tempo, de acordo com as mudanças identificadas pelo médico. Essas escolhas consideram o quadro como um todo, incluindo outros transtornos.

Psicoterapia

A psicoterapia é a base do tratamento do borderline porque trabalha os pensamentos, as emoções e os comportamentos envolvidos no quadro, ajudando o paciente a encontrar outras formas de lidar com situações difíceis e reduzir os impactos do transtorno na rotina.

Não existe uma única terapia indicada para todas as pessoas, já que algumas abordagens foram estudadas para o transtorno borderline e usam métodos diferentes para ajudar cada paciente a lidar com os problemas que enfrenta:

Abordagem

Como funciona

Terapia focada na transferência (TFP)

Trabalha padrões de relacionamento que aparecem nas sessões, ajudando a pessoa a compreender melhor seu jeito de interagir

Terapia baseada em mentalização (MBT)

Ajuda o paciente a entender os próprios pensamentos e sentimentos, e o que pode estar por trás das atitudes das pessoas

Terapia comportamental dialética (TCD)

Ensina como lidar com emoções intensas, comportamentos impulsivos e crises, reduzindo comportamentos autodestrutivos

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

Faz a relação de pensamentos, emoções e comportamentos, ajudando a identificar padrões e formas de reagir às situações

A psicoterapia exige acompanhamento para que o que é trabalhado possa ser colocado em prática e avaliado. O profissional acompanha a evolução do paciente e ajusta o foco das sessões conforme aparecem novas dificuldades ou mudam os objetivos do tratamento.

Medicamentos

Os remédios não tratam diretamente o transtorno borderline nem substituem a psicoterapia. Nesse cenário, o psiquiatra responsável pode indicar um medicamento para controlar algum sintoma específico ou tratar outro transtorno que também esteja presente.

A escolha depende da avaliação médica, da saúde e dos remédios que o paciente já usa. Quando existe indicação, o psiquiatra define o objetivo do medicamento e acompanha a resposta, os efeitos colaterais e a necessidade de continuar o uso.

American Psychiatric Association recomenda que os remédios tenham um objetivo, sejam usados pelo menor tempo necessário e façam parte do cuidado junto à psicoterapia. O médico também deve revisar tudo com frequência para avaliar se ainda são precisos.

O uso de vários medicamentos ao mesmo tempo deve ser evitado sempre que possível, pois aumenta o risco de efeitos colaterais e pode dificultar os resultados. A dose e o tempo de uso devem ser definidos pelo médico, sem iniciar ou interromper um remédio sozinho.

Leia também: O que é o transtorno bipolar? Saiba sintomas e como tratar a condição

Existem hábitos que podem ajudar a controlar crises?

Algumas atitudes da rotina podem ajudar a diminuir a frequência ou a intensidade das crises e facilitar a percepção dos primeiros sinais. Esse cuidado também pode ajudar a pessoa a se sentir mais preparada para momentos de maior sofrimento, o que inclui:

  • Dormir o suficiente e evitar passar noites sem dormir;
  • Reservar momentos do dia para atividades prazerosas e descanso;
  • Manter horários parecidos para dormir, acordar e fazer as refeições;
  • Anotar mudanças de humor, acontecimentos e reações para perceber padrões;
  • Praticar atividades físicas com frequência, de acordo com as condições de saúde;
  • Evitar álcool e drogas, que podem aumentar a instabilidade e dificultar o controle;
  • Ter um plano para momentos de crise, com formas de se acalmar e contatos de pessoas que possam oferecer apoio.

Quando perceber que uma crise está começando, pode ser útil diminuir os estímulos, adiar decisões e se afastar do que estiver aumentando a tensão. Se houver risco de se machucar ou machucar alguém, é preciso procurar atendimento ou chamar um serviço de emergência.

Leia também: Ansiedade social: sintomas, causas e como tratar o transtorno

Quanto tempo dura o tratamento do borderline?

O tratamento do transtorno borderline pode durar meses ou anos, sem um prazo igual para todas as pessoas, e a duração depende da evolução dos sintomas, da resposta ao cuidado e das necessidades de cada paciente ao longo do acompanhamento.

A melhora pode acontecer aos poucos, com alguns comportamentos diminuindo antes de outros. Mesmo quando a pessoa apresenta avanços importantes, o acompanhamento pode continuar para manter os resultados e acompanhar possíveis mudanças com o tempo.

Nesse contexto, uma pesquisa publicada na revista científica European Psychiatry reuniu estudos com 837 pessoas acompanhadas de cinco a 14 anos e mostrou que entre 50% e 70% alcançaram remissão dos sintomas durante esse período.

O transtorno borderline tem cura?

O transtorno borderline pode entrar em remissão, quando os sintomas deixam de atender aos critérios usados para o diagnóstico, o que significa que a pessoa pode ter uma melhora importante e passar longos períodos sem sintomas que causem prejuízos significativos.

Essa melhora não acontece do mesmo jeito para todos, e alguns sintomas podem continuar mesmo depois da remissão. O processo também pode envolver mudanças na vida pessoal, nos relacionamentos e na capacidade de fazer atividades da rotina.

Uma pesquisa publicada no American Journal of Psychiatry acompanhou 290 pessoas com borderline por 10 anos e mostrou que 93% tiveram remissão dos sintomas por pelo menos dois anos, além de que 86% mantiveram essa remissão por pelo menos quatro anos.

Leia também: Tipos de mania: veja sintomas e manifestações no transtorno bipolar

Quando é preciso buscar atendimento médico?

A avaliação com um psiquiatra é indicada quando o sofrimento começa a atrapalhar a vida da pessoa com borderline ou quando ela sente dificuldade para lidar com o que acontece. Por isso, o atendimento é indicado quando:

  • Aparecem pensamentos de morte ou de se machucar;
  • Existem comportamentos que colocam outras pessoas em risco;
  • O paciente sente que não consegue controlar alguns comportamentos;
  • Há suspeita de transtorno borderline ou de outra condição de saúde mental;
  • Os sintomas começam a atrapalhar a vida pessoal, profissional ou acadêmica.

Quando houver dúvida sobre qual serviço procurar, a pessoa pode começar pela consulta com um psiquiatra, que vai avaliar os sintomas. Em casos de risco de suicídio, autolesão grave ou agressão, é importante procurar atendimento de emergência na hora.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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