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Doenças que baixam as plaquetas: entenda quais as causas

Saiba quais condições podem levar à plaquetopenia, os sinais de alerta e a importância da avaliação médica especializada.

Resumo
  • Plaquetas baixas, ou plaquetopenia, podem ser causadas por diversas doenças, desde infecções até condições autoimunes e câncer
  • Condições da medula óssea, como leucemias e síndromes mielodisplásicas, afetam a produção de plaquetas
  • Infecções virais (dengue, HIV, hepatites) e bacterianas podem reduzir drasticamente a contagem plaquetária
  • Doenças autoimunes, como a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) e o lúpus, levam à destruição das plaquetas pelo próprio corpo
  • Problemas no baço, como na cirrose hepática, podem sequestrar plaquetas, diminuindo sua circulação no sangue
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Você já se perguntou por que surgem manchas roxas na pele sem motivo aparente ou sangramentos incomuns no nariz ou gengiva? Esses sinais podem indicar que as plaquetas, pequenas células sanguíneas essenciais para a coagulação, estão em níveis mais baixos que o normal. 

Conhecida como trombocitopenia ou plaquetopenia, essa condição pode ser um alerta para diversas doenças subjacentes, algumas delas graves e que exigem atenção médica imediata. Por isso, um hemograma alterado merece atenção. Evite complicações: agende uma avaliação médica na Rede Américas.

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O que significa ter plaquetas baixas?

As plaquetas, também chamadas de trombócitos, desempenham um papel essencial na interrupção de sangramentos. Elas se agrupam no local de uma lesão vascular, formando um tampão inicial para estancar o fluxo sanguíneo. 

A contagem normal varia geralmente entre 150.000 e 450.000 por microlitro de sangue. Quando ela cai abaixo de 150.000, o quadro é definido como plaquetopenia, que pode ser leve, moderada ou grave, os seus riscos aumentam conforme a contagem diminui. Uma queda acentuada pode levar a sangramentos espontâneos ou dificuldade em controlar hemorragias decorrentes de pequenos traumas.

É importante saber que a baixa contagem de plaquetas pode ter origem em doenças hereditárias. Essas condições são causadas por mutações genéticas que prejudicam a produção natural dessas células pelo corpo. Por isso, a identificação da causa é fundamental para um tratamento eficaz e para prevenir complicações sérias.

Quais as principais doenças que baixam as plaquetas?

A diminuição das plaquetas pode ser causada por diversos fatores, que geralmente se enquadram em três categorias principais: redução na produção pela medula óssea, aumento da destruição das plaquetas no sangue ou sequestro excessivo no baço. 

A seguir, exploramos as principais doenças relacionadas a essas condições. A primeira delas são aquelas que afetam a medula óssea e a produção de plaquetas. A medula óssea é a "fábrica" das células sanguíneas. Doenças que comprometem essa fábrica resultam em uma produção insuficiente de trombócitos.

Leucemias e outros cânceres

As leucemias são tipos de câncer que afetam as células sanguíneas na medula óssea. As células cancerígenas se multiplicam descontroladamente, ocupando o espaço e impedindo a produção adequada de plaquetas, glóbulos brancos e glóbulos vermelhos saudáveis.

É importante ressaltar que algumas condições genéticas que levam à redução de trombócitos aumentam significativamente o risco de desenvolver leucemia. 

Em crianças, por exemplo, a presença de condições genéticas pode aumentar consideravelmente a chance de desenvolver leucemia linfoblástica aguda. Além de poder aumentar o risco de falência dos rins e outras doenças graves.

Outros cânceres, como linfomas e mieloma múltiplo, também podem afetar a medula óssea, embora de formas diferentes.

Síndromes mielodisplásicas e anemia aplásica

As síndromes mielodisplásicas são um grupo de distúrbios nos quais as células-tronco da medula óssea não amadurecem corretamente, resultando na produção de células sanguíneas disfuncionais e em número reduzido. 

A anemia aplásica é uma condição rara e grave em que a medula para de produzir células sanguíneas em quantidade suficiente, levando à diminuição de todos os tipos de células, incluindo as plaquetas.

Dentre as doenças que reduzem a contagem estão as infecções, especialmente as virais. Elas podem causar a destruição das plaquetas ou suprimir temporariamente sua produção.

Doenças virais: dengue, zika, chikungunya, HIV e hepatites

dengue é uma das causas mais conhecidas de plaquetopenia no Brasil. Outras arboviroses, como zika e chikungunya, também podem causar uma queda dos níveis.

Infecções crônicas, como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e as hepatites virais (principalmente a hepatite C), frequentemente levam à plaquetopenia devido a efeitos diretos sobre a medula óssea ou pelo aumento do tamanho do baço.

Além disso, o vírus Epstein-Barr (causador da mononucleose), sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora) são exemplos de infecções virais que podem temporariamente diminuir as plaquetas.

Infecções bacterianas e outras

Algumas infecções bacterianas, como a leptospirose e infecções graves generalizadas (sepse) também estão no meio. E em certos casos, a bactéria H. pylori, responsável por úlceras e gastrite, também pode estar associada à púrpura trombocitopênica imune.

Algumas doenças autoimunes também entram nesse rol de doenças. Nelas, o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, ataca erroneamente as próprias células saudáveis. No caso das plaquetas, essa destruição acelerada leva à plaquetopenia.

Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI)

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma condição em que o sistema imunológico produz anticorpos que se ligam às plaquetas, marcando-as para destruição pelo baço. É uma das causas mais comuns em adultos e crianças, e pode ser aguda ou crônica.

Lúpus eritematoso sistêmico

lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que pode afetar diversas partes do corpo. Os baixos níveis de trombócitos é uma das manifestações hematológicas comuns do lúpus. Ocorrendo devido à destruição autoimune ou por causa da supressão da medula óssea.

Problemas no baço e o sequestro de plaquetas

O baço é um órgão que filtra o sangue, removendo células velhas ou danificadas. Em algumas condições, ele pode aumentar de tamanho (esplenomegalia) e passar a "sequestrar" um número excessivo de plaquetas. O “sequestro” impede que elas circulem no sangue e cumpram sua função.

Cirrose hepática e esplenomegalia

cirrose hepática é uma condição grave do fígado. Sendo uma causa frequente de esplenomegalia. O fígado danificado impede o fluxo sanguíneo normal, causando um represamento de sangue no baço, que cresce e retém mais plaquetas do que o habitual. Outras condições que levam à esplenomegalia, como mielofibrose ou certas infecções, também podem resultar no problema.

Além das doenças mencionadas, outros fatores podem contribuir para a queda na contagem de plaquetas.

Deficiências nutricionais

A falta de nutrientes essenciais, como vitamina B12 e ácido fólico, pode prejudicar a produção. Esses nutrientes são necessários para a formação adequada das células sanguíneas.

Uso de certos medicamentos e substâncias

Alguns medicamentos são conhecidos por induzir plaquetopenia como efeito colateral. Exemplos incluem:

  • Heparina: um anticoagulante que, em alguns casos, pode desencadear uma reação autoimune contra as plaquetas
  • Quimioterapia e radioterapia: tratamentos para câncer que afetam a medula óssea, diminuindo a produção de células sanguíneas
  • Certos antibióticos: especialmente aqueles que contêm sulfa
  • Anticonvulsivantes: alguns medicamentos usados para controlar convulsões

O consumo excessivo de álcool também pode suprimir a produção de plaquetas e interferir na função da medula óssea.

Plaquetas baixas na gravidez

Atrombocitopenia leve é relativamente comum durante a gravidez, geralmente sem grandes implicações. 

No entanto, condições como a pré-eclâmpsia (uma complicação grave caracterizada por pressão alta) podem levar a uma queda significativa e preocupante, exigindo monitoramento e tratamento. É fundamental que gestantes com trombócitos baixos sejam acompanhadas de perto por seus médicos.

Quais os sintomas de plaquetas baixas?

Os sintomas de plaquetas baixas podem variar dependendo do grau. Em casos leves, a condição pode ser assintomática e descoberta apenas em exames de rotina. Contagens muito baixas, no entanto, podem causar:

  • Manchas roxas na pele (equimoses) ou pequenos pontos vermelhos (petéquias), que surgem sem trauma aparente
  • Sangramento nasal frequente ou difícil de controlar (epistaxe)
  • Sangramento nas gengivas, especialmente durante a escovação
  • Sangramento menstrual excessivo (menorragia)
  • Sangue na urina (hematúria) ou nas fezes (melena ou hematoquezia)
  • Fadiga e cansaço, devido à anemia associada ou à doença subjacente

Em casos muito graves, podem ocorrer sangramentos internos perigosos, como hemorragias cerebrais, que são emergências médicas.

Quando procurar um médico?

É fundamental procurar um médico hematologista sempre que o diagnóstico for observado no hemograma. Mesmo que você não apresente sintomas visíveis, a investigação da causa é crucial. 

Além disso, a presença de qualquer um dos sintomas mencionados acima, especialmente sangramentos inexplicáveis ou persistentes, exige avaliação médica urgente. O médico poderá solicitar exames complementares e realizar uma avaliação detalhada do seu histórico de saúde para identificar a doença subjacente e definir o tratamento mais adequado.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico inicial é feito por meio de um exame de sangue chamado hemograma completo, que quantifica as células sanguíneas. A investigação médica pode incluir:

  • Histórico clínico detalhado: o médico perguntará sobre seus sintomas, uso de medicamentos, histórico familiar de doenças e viagens recentes (para avaliar risco de infecções como dengue)
  • Exame físico: para verificar sinais de sangramento, aumento do baço ou outros indícios de doença
  • Exames laboratoriais adicionais: testes para detectar infecções virais (HIV, hepatites, dengue), autoanticorpos (para lúpus, PTI), avaliação da função hepática, renal e níveis de vitaminas
  • Avaliação da fração de plaquetas imaturas (FPI): Este exame mede a quantidade de plaquetas mais jovens circulando no sangue. Ele é útil para diferenciar entre trombocitopenias de origem hereditária, autoimune ou outras causas adquiridas
  • Biópsia e aspirado de medula óssea: em alguns casos, especialmente quando há suspeita de doenças da medula óssea (leucemia, síndromes mielodisplásicas), uma amostra da medula é coletada para análise

A partir desses resultados, o especialista poderá estabelecer um diagnóstico preciso.

Existe tratamento para plaquetas baixas?

O tratamento depende diretamente da causa subjacente. Não existe um "remédio" único, mas sim abordagens específicas para a doença que está provocando a queda. Por exemplo:

  • Infecções: o tratamento do quadro infeccioso (com antivirais ou antibióticos, conforme o caso) geralmente leva à recuperação da contagem de plaquetas
  • Doenças autoimunes (PTI, lúpus): podem ser tratados com corticosteroides para suprimir o sistema imunológico, imunoglobulinas intravenosas, ou outros medicamentos imunossupressores. Em casos específicos, pode ser considerada a remoção do baço (esplenectomia)
  • Doenças da medula óssea (leucemias, anemia aplásica): o tratamento é complexo e pode incluir quimioterapia, radioterapia, transplante de medula óssea, ou outros medicamentos específicos
  • Trombocitopenias hereditárias: Para pacientes com doenças genéticas que causam plaquetas baixas, novos medicamentos têm se mostrado eficazes. Esses tratamentos conseguem aumentar as plaquetas com segurança e ajudar a evitar sangramentos
  • Cirrose hepática: o manejo da doença hepática é essencial. Em alguns casos, medicamentos podem ajudar a aumentar as plaquetas
  • Deficiências nutricionais: suplementação de vitamina B12 ou ácido fólico pode corrigir a plaquetopenia
  • Medicamentos: se um medicamento for a causa, a suspensão ou substituição, sob orientação médica, pode resolver o problema

É fundamental ressaltar que qualquer decisão sobre tratamento deve ser tomada por um médico especialista. Preferencialmente um hematologista, que acompanhará de perto a evolução do quadro e ajustará as condutas conforme necessário. Automedicação ou a busca por soluções sem respaldo científico podem agravar a situação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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